terça-feira, 28 de setembro de 2010

Marcas ainda não entendem que consumidores são diferentes

Entenda porque a classificação sócio-demográfica já não é mais suficiente para conquistar clientes.

Que o consumidor está mudado, já não é nenhuma novidade. Mas você, profissional de Marketing, já parou para pensar que uma mesma pessoa pode ter – e provavelmente tem – comportamentos de compra variados? Um cliente pode ser descontraído na hora da escolha da roupa, mas tradicional ao comprar alimentos. A complexidade aparece na hora de classificar estes consumidores de acordo com suas atitudes.

Uma mulher, por exemplo, pode desejar um chocolate no domingo, mas passar longe de uma caixa de bombom na segunda, quando começou a dieta. Mudanças como essas fazem com que divisões que contemplam apenas idade, sexo e classe social não sejam mais suficientes para segmentar os consumidores. “O estilo de vida é um valor universal, que atravessa segmentos. Vemos pessoas de 60 anos com atitude de 20 e vice-versa. Mulheres incorporam práticas masculinas, enquanto homens cozinham e cuidam da casa”, conta Beth Furtado, sócia-diretora da ALIA e autora do livro “Desejos Contemporâneos”, em entrevista ao Mundo do Marketing.

O conceito de segmentação a partir do comportamento de consumo vai além do desenvolvimento de produtos e altera até mesmo a arquitetura dos pontos-de-venda. Casos como o do Best Buy, um dos principais varejistas norte-americanos, são exemplos. A empresa dividiu suas lojas em quatro estilos de vida para atender às necessidades de seus consumidores. Isso só foi possível graças a um grande database. “Eles começaram a entender que a loja possuía uma predominância de estilos de vida e estados de espírito e, a partir disso, segmentaram os pontos-de-venda de acordo com esses perfis”, diz Beth, também blogueira do Mundo do Marketing.

Pão de Açúcar reestruturou ponto-de-venda para atender necessidades
No Brasil, o Pão de Açúcar aparece como uma das marcas que se preocupam em atender às demandas geradas por diferentes perfis de consumo. Há cerca de seis anos, o grupo segmentou suas lojas a partir do entendimento de atitudes, características demográficas e comportamentos de compra. Pesquisas viabilizaram a mudança na estrutura dos espaços, que contemplou o mix de produtos, os serviços agregados e até mesmo a arquitetura para satisfazer os consumidores.

O conceito, entretanto, ainda é pouco explorado por aqui. “Essas ferramentas são muito úteis, mas pouco conhecidas. Além disso, o processo é caro e mais complexo do que a segmentação demográfica. Não vejo uma tendência para isso. Profissionais de Marketing entendem muito de estratégia e pouco de pessoas”, acredita Mário Ernesto René Schweriner , Coordenador do Núcleo de Ciências do Consumo Aplicadas da ESPM, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A consultoria de Marketing Copernicus, no entanto, acredita na viabilidade do conhecimento profundo a respeito das atitudes dos consumidores. Um case bastante conhecido que contou com a consultoria da empresa no Brasil é o de “Skol Desce Redondo”, projeto realizado a partir de um estudo de segmentação. A consultoria atende desde pequenas empresas como o Colégio Bandeirantes, até marcas como Shell, Oi e Coca-Cola.

Coca-Cola identificou oportunidade com Laranja Caseira

A própria Coca-Cola lançou o suco Laranja Caseira depois de identificar um segmento com o auxílio de um estudo feito pela Copernicus. O desenvolvimento do produto só foi possível porque a empresa percebeu que o consumidor precisava de uma bebida que tivesse um apelo emocional. O lançamento do produto foi baseado no conceito “primeiro suco com gominho e com carinho”. Como resultado, a Coca-Cola ampliou o público consumidor de sucos de caixinha e, consequentemente, o seu faturamento.

“Para segmentar, a melhor referência é o retorno sobre o investimento. O Marketing tem como objetivo atender as necessidades dos consumidores com serviços e produtos lucrativos. A melhor forma para falar de lucratividade é o ROI (Retorno sobre Investimento) e esse deve ser o critério de segmentação”, explica Alberto Cerqueira Lima,  presidente da Copernicus, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Neste caso, o retorno sobre o investimento é obtido ao identificar grupos de pessoas que se assemelham em determinado tipo de categoria e ocasião de consumo, mas são diferentes em todos os outros aspectos. “Cada vez mais as empresas deixam de fazer produtos para a massa e caminham no sentido do Marketing one to one. É necessário entender que dentro de um conjunto de grandes consumidores, existem subconjuntos que têm atitudes e comportamentos diferentes”, aponta Mario Mattos , Diretor Executivo de Pesquisa As Hoc da GFK, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Adidas é caso de sucesso internacional
O segredo do sucesso é desenvolver produtos e serviços focados nas necessidades de cada um desses subconjuntos. Foi exatamente isso que a Adidas fez nos Estados Unidos. A marca esportiva percebeu uma oportunidade no segmento de sabonetes líquidos. Pesquisas identificaram que os produtos concorrentes exploravam apenas o perfume e a hidratação. De olho na necessidade do consumidor em estar em movimento, a Adidas apostou nos valores de portabilidade e exclusividade no uso e lançou um sabonete líquido para esporte, clubes e academias.

Para os especialistas, este é um caminho sem volta. “As empresas perceberam que a diferença entre as marcas está muito mais no emocional. Há alguns anos, Omo era praticamente a única opção no mercado. Hoje, existem marcas boas e conceituadas, mas a consumidora escolhe Omo porque tem uma relação com a marca difícil de romper”, relata Elizabeth Salmeirão, Diretora de Negócios de Retail & Shopper Insights da TNS Research International, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Entre os desafios neste processo destaca-se a maneira como aplicar estes estudos na prática. “Ferramentas para identificar estes subgrupos existem”, diz Beth Furtado. “O que vemos pouco é a implementação disso na realidade. A maioria das empresas continua achando que vende para a classe C e não observa que existem grupos com hábitos completamente diferentes”, comenta.

Desafios para aplicar o conhecimento
O primeiro passo é identificar estes perfis. O avanço tecnológico tem sido um facilitador neste sentido. “Recursos da matemática e de estatística reúnem centenas de variações e combinações de variáveis para fazer a análise do valor que o consumidor representa para o segmento”, aponta Cerqueira , da Copernicus.

Após identificar os subgrupos, a questão é o que fazer com estes dados. As informações podem ser preciosas na construção de um conceito voltado para o estado de espírito do comprador, o desenvolvimento de um produto ou a formulação de uma loja. Em seguida, vem o próximo obstáculo para o profissional de Marketing: como informar o consumidor sobre o seu lançamento.

“Hoje, existem muitos meios e todos acabam mais segmentados. Não é mais possível falar com todos ao mesmo tempo porque o mundo literalmente evoluiu”, relata Elizabeth, da TNS Ri. A internet acaba sendo uma grande aliada das marcas, mas não é suficiente. “A web tem limitações também, porque tem mais penetração em menos segmentos. Cabe ao profissional descobrir como encontrar essas pessoas”, explica Beth.

Internet dá voz para os advogados da marca
Ainda assim, o meio digital é um dos grandes propagadores de produtos e serviços. Os chamados “advogados da marca”, por exemplo, encontraram no mundo virtual uma forma de ampliar o boca a boca que já geravam em seu cotidiano. São consumidores que representam de 5% a 10% da população mundial, mas merecem tratamento especial, pois promovem as marcas das quais são verdadeiros fãs.

É na internet que essas pessoas ganham voz, a partir de comunidades em redes sociais, blogs e fóruns. “Com a web, as pessoas deixam pegadas digitais e você pode usá-las, pode ir atrás delas”, diz Cerqueira. É o que se vê, por exemplo, no fenômeno atual dos blogs especializados em beleza. Diariamente, as blogueiras publicam resenhas a respeito de produtos que acabam influenciando a decisão de compra de milhares de consumidoras. Em troca, as marcas começam a interagir, oferecem produtos para teste, brindes para serem sorteados entre as leitoras e organizam encontros, como é o caso de Dermage e Granado.

Encontrar estes nichos na blogosfera e na internet só é possível a partir de um conhecimento a respeito dos diferentes perfis de consumo que as pessoas podem adotar. Mas o estudo demográfico não deve ser deixado de lado. “Baseado unicamente no apelo emocional, não é possível materializar e aplicar o estudo para que se possa realizar uma ação. O atitudinal é um complemento para achar as diferenciações dos consumidores, mas existe a base demográfica. É preciso saber sexo, escolaridade e classe social”, complementa Elizabeth , da TNS.

A idade, por exemplo, é elemento fundamental para um grupo de consumidores que começa a despertar a atenção do mercado: a terceira idade. Contudo, ela não é o único fator relevante. “Parte dos consumidores da terceira idade encara a fase como o fim da vida, enquanto outra parcela entende como o início de uma nova etapa”, declara Mattos, da GFK. Saber quem é quem é o desafio daqui para frente.


Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing.
http://www.mundodomarketing.com.br/10,13753,marcas-ainda-nao-entendem-que-consumidores-sao-diferentes.htm

Emoções a garimpar

Empresas precisam entender que emoção é o melhor benefício da relação com o consumidor.

Os profissionais de Marketing investem muito para definir quem são seus clientes e suas necessidades e para garantir que eles tenham experiências positivas que se convertam em vendas. O que esses gestores e pesquisadores comumente deixam escapar são o papel e a importância das emoções como influência no comportamento do consumidor.
De acordo com Liam Fahey, acadêmico especializado em comportamento organizacional, Marketing e inteligência competitiva, essa displicência leva a empresa a desprezar os melhores benefícios da relação com o consumidor. Fahey é o arquiteto principal da Emotion Mining Company, que investigou a tão negligenciada área das emoções para revelar a riqueza dos dados que elas, quando examinadas e medidas, podem oferecer às empresas. “Quando se trata de desconstruir a experiência do consumidor, as emoções frequentemente não são devidamente levadas em conta. Isso é um tanto quanto surpreendente, porque toda experiência do consumidor estimula emoções. Assistir a um anúncio na TV, usar um produto ou relacionar-se com um vendedor pode dar início a uma série de sentimentos”, observa Fahey.
Além disso, as emoções residem no coração das necessidades e desejos dos consumidores e as escolhas do assim chamado “consumidor racional” são sempre influenciadas, e não raro conduzidas, emocionalmente. “Um cliente está inclinado a comprar um produto por sua funcionalidade superior, e o preço do produto concorrente é mais ou menos o mesmo. Uma escolha racional seria comprar o produto – funciona melhor, tem o mesmo preço”, diz Fahey. "Mas e se o consumidor se sente desconfortável com a marca? E se a loja faz com que o cliente se sinta desprezado? E se a cor do produto desperta emoções negativas associadas ao time de futebol que o cliente detesta? O que pode parecer uma simples escolha racional torna-se, assim, uma escolha mais complexa, na qual as emoções têm papel fundamental e podem levar a uma decisão de compra que os critérios denominados ‘racionais’ não teriam antecipado”, completa.
Por esse motivo, Fahey e Thomas Snyder, criador e cofundador da Emotion Mining e estudioso de neurociência e psiquiatria, estão desenvolvendo maneiras melhores de tratar, medir e alavancar emoções. Juntos, estão rapidamente construindo um dos maiores bancos de dados de emoções dos consumidores, o que dá origem ao nome de sua organização, Emotion Mining Company.
Como pesquisar emoções
A empresa de Fahey desenvolveu um conjunto de dados baseados na web e de métodos de análise que destacam o papel que as emoções exercem em definir e motivar a experiência do consumidor. Por exemplo, uma capacidade única desses métodos permite aos pesquisadores distinguir entre as emoções expressas e conscientes e as não expressas e subconscientes, isto é, aquelas que não são manifestadas prontamente ou de modo confiável –emoções das quais o cliente nem sequer é consciente. Segundo Fahey, os métodos da Emotion Mining podem também desconstruir as experiências emocionais do consumidor como meio direto de detectar suas aspirações, ou seja, necessidades que, de outra maneira, permaneceriam fora da tela do radar da maioria dos gestores de Marketing que usassem métodos de pesquisa tradicionais.
Métodos
Um dos métodos de Fahey oferece o percentual de emoções positivas e negativas associadas a qualquer experiência do cliente. “Embora represente a maneira mais simples de localizar emoções, em muitos casos alerta os profissionais de Marketing para a necessidade de mudar a experiência e, muitas vezes, mudá-la significativamente. Uma necessidade emocional não satisfeita indica uma oportunidade de Marketing”, alerta Fahey.
Distinguir entre o que o consumidor conscientemente diz e o que ele subconscientemente sente por trás de suas emoções declaradas é outro aspecto abordado pelas pesquisas e pelo trabalho da Emotion Mining. Como os profissionais de Marketing têm acesso às necessidades e aos desejos não declarados dos clientes? Concentrando-se nas emoções associadas à experiência do consumidor – alvo prioritário na metodologia da Emotion Mining. Assim, as emoções não declaradas e as necessidades são identificadas por um programa de internet similar a um game, pelo qual se fazem às pessoas duas ou três perguntas na forma de “Como algo faz você se sentir?”.
O processo de coleta de dados oferece aos entrevistados de seis a oito palavras que expressem emoções como respostas possíveis a cada questão. Eles dizem o que essas emoções representam e uma linha de dados é definida para cada emoção. Os protocolos de análise geram, automaticamente, resultados quantitativos e qualitativos que incluem a emoção consciente ou declarada e a subconsciente ou não dita. As análises dos perfis emocionais geradas para grupos ou segmentos específicos (como o dos clientes que compraram um produto e o dos clientes que não compraram) oferecem insights a respeito de: Fontes de emoções principais; Como as emoções poderiam motivar; ou inibir comportamentos específicos; Quais programas de ações poderiam ser úteis.
Case de empresa de seguros
Para ilustrar o método usado por ele, Fahey oferece o exemplo de uma empresa de serviços financeiros que era sua cliente sem mencionar nomes. Na análise das vendas de apólices de seguros, identificou-se um índice de 70% de emoções negativas em cada transação. “Nem os clientes, nem os vendedores estavam aprovando o processo de compra e venda. Algo estava muito errado com a experiência do consumidor e, se corrigido, o resultado poderia simplesmente ser a melhora das vendas”, conta Fahey.
Os clientes indicavam, conscientemente, que eles se sentiam seguros com o produto que estavam comprando e confortáveis de que serviria a suas necessidades financeiras. “Assim, os sentimentos de confiança e conforto sobre a oferta de seguros têm de ser criados para os clientes; na ausência dessas emoções, haverá menor probabilidade de que adquiram o que lhes é oferecido.” A primeira análise, baseada no acompanhamento dos compradores de seguros, revelou três fortes emoções subconscientes não expressas:
- Insegurança: a experiência exigia muito dos clientes, abrangendo comunicações intimidadoras, e era socialmente desconcertante.
- Depressão: os clientes se sentiam vulneráveis, sós e temerosos em relação ao vendedor.
- Raiva: eles se sentiam pegos em uma armadilha de um sistema que desperdiçava seu tempo, energia e recursos.
“Depois de uma análise extensa das palavras associadas a essas três emoções negativas, a equipe de Marketing da empresa financeira concluiu que os clientes estavam tendo fortes sentimentos de impotência, frustração, incerteza, inferioridade e desconfiança na experiência de compra. O pessoal concluiu que mesmo os consumidores que haviam comprado o produto sentiam que o processo de compra e venda como um todo tinha sido desvantajoso para eles, enfraquecedor e disfuncional”, observa Fahey.
A segunda análise focou os clientes que não haviam comprado o seguro. “Esse segmento também revelou as mesmas emoções não ditas. Entretanto, para a surpresa da equipe de Marketing, as três emoções significavam algo totalmente diferente, comparando- as às do grupo dos que haviam adquirido o produto”, diz o especialista. Insegurança: os clientes sentiam-se esmagados pela quantidade de perguntas e falta de naturalidade em tudo. Depressão: eles se sentiam fracos,derrotados e diminuídos pelo que percebiam como “o mal” no processo de compra e venda. Raiva: o aspecto improdutivo subjacente a “ter de perder ou ganhar” gerava ressentimento, rebelião e resistência. Insights: Uma série de insights a respeito das necessidades dos clientes emergiu dessas análises.
Primeiro: relacionar-se com a força de vendas gerou um impacto negativo e persistente tanto nos que compraram como nos que não o fizeram. “Se a equipe de vendedores não pudesse ser treinada para compreender e detectar essas emoções, a empresa não poderia esperar qualquer virada excepcional na produtividade de vendas", diz Fahey.
Segundo: os clientes que compraram haviam alcançado sua necessidade funcional a respeito de seguros, mas ficou claro que suas aspirações não foram satisfeitas. “As emoções ligadas a insegurança, depressão e raiva que permaneciam bem depois da compra indicavam, fortemente, que esses clientes tendiam a não promover bem o produto, a experiência e a marca em termos virais”, alerta.
Terceiro: ao destrinchar a experiência do consumidor, identificou- se que as emoções de desprazer não estavam direcionadas tanto à oferta do seguro, e sim ao processo de compra e venda. “As emoções referiam-se ao contexto do relacionamento comprador-vendedor. Os sentimentos não verbalizados e não reconhecidos de impotência, inferioridade, frustração e falta de confiança eram gerados pelo processo de venda. Claramente, esse processo tinha de ser reformulado se o objetivo era fazer com que os clientes se sentissem envolvidos, confiantes e poderosos.”
Quarto: as emoções negativas, tão fortemente sentidas, destacavam a necessidade de um redesenho completo do processo de compra e venda. “Os clientes precisavam sentir-se com poder, e ter o poder, de modo que contribuíssem realmente para o processo, a fim de que vivenciassem uma relação construída sobre confiança e troca”, acrescenta Fahey. “Em suma, eles poderiam sentir-se como se estivessem administrando os próprios assuntos, e não tendo suas escolhas direcionadas por outros.”
Quinto: as diferenças emocionais entre aqueles que adquiriram o seguro e os demais indicavam veementemente que cada cliente poderia e deveria ser tratado como uma unidade, como um cliente com aspirações emocionais únicas. “A implicação aqui também era forte: cada vendedor teria de ser habilitado a ler rapidamente as emoções da pessoa que estava do outro lado da mesa e atendê-las.”
Plano de ação e o aumento das vendasCom base nessas conclusões, a equipe de Fahey recomendou um plano de ação para a seguradora. De acordo com ele, um programa de competência emocional foi criado para educar e treinar toda a equipe de vendas nas habilidades requeridas para reconhecer e responder a uma série de questões e desafios que tendem a ser levantados pelos clientes, para lidar com conjuntos específicos de perguntas tipicamente feitas por eles e com comportamentos comumente exibidos pelos clientes que se sentem impotentes,frustrados e contrariados.
Diversas ferramentas de treinamento foram criadas, o que permitiu que a força de vendas administrasse o lado analítico de vender seguros, de modo que o cliente pudesse participar do processo sentindo que estava realmente contribuindo com ele. “Os resultados foram impressionantes. A relação ‘vendas por vendedor’ aumentou 15% em dois anos. Os índices de satisfação dos clientes melhoraram significativamente e a economia com treinamento e desenvolvimento foi considerável, devido à redução no turnover”, revela Fahey.

Por HSM Management, do Mundo do Marketing.
 http://www.mundodomarketing.com.br/10,15129,emocoes-a-garimpar.htm

Consumidor de baixa renda está endividado, mas ainda quer comprar

No último ano, 49% das famílias paulistanas estavam endividadas e 64% acreditam que estarão melhores financeiramente nos próximos meses.

O acesso das classes da baixa renda ao mercado possibilitou que estas famílias consumissem mais. Consequentemente, o grau de endividamento entre estes consumidores aumentou. A novidade é que eles não pretendem parar de comprar. No último ano, o nível de endividamento das famílias paulistanas que recebem até três salários mínimos foi de 49%, segundo uma pesquisa realizada pela Fecomercio.
No entanto, de acordo com a mesma pesquisa, apenas 8% destas famílias declararam que não teriam condições de quitar suas dívidas. Para ter acesso a bens duráveis, estes consumidores recorrem aos financiamentos e acumulam parcelas em crediários, cheques, cartões de crédito, entre outros.
“O fato de acumularem uma dívida não é algo ruim. O alargamento do número de parcelas é a maneira que eles encontram para terem acesso ao mercado de consumo, por isso a taxa de endividamento cresce”, explica Adelaide Reis (foto), economista da Fecomercio, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Valor da parcela é mais importante que do produtoEntre esses consumidores, o importante é a relação de custo-benefício. Na busca por produtos de qualidade, o cálculo dos juros, em geral, deixa de ser o principal critério levado em conta ao se endividar. “O mais importante para o consumidor da base da pirâmide é o preço da parcela, se ela cabe no seu bolso. O desejo de adquirir o item deixa o valor dos juros em segundo plano”, diz Mateus Canniatti Ponchio, professor da ESPM SP e especialista no assunto.
De acordo com uma pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), dos consumidores de baixa renda entrevistados, 73,5% desconhecem o valor da taxa de juros. “Em todas as classes, existe uma divisão entre altamente endividados, mediamente e os que têm menos dívidas. Os que são altamente endividados conhecem menos as taxas de juros, fazem compras com menor consciência, não controlam os seus gastos e, com isso, atrasam mais os pagamentos”, ressalta Sandra Turchi, superintendente de Marketing da ACSP.
Nas classes da base da pirâmide isto se agrava, pois estes consumidores têm menos renda. Segundo a Fecomercio, em 2009, 21% dessas famílias tinham contas em atraso. Entre os principais meios de financiamento destacam-se o cartão de crédito, com 66,36%, e os carnês de crediário, com 42,99%. Os produtos mais procurados são bens duráveis como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis, seguidos de vestuário.

Marcas conhecidas não são prioridadeA importância do consumo para este grupo está ligada à noção de inclusão oferecida pela posse de bens materiais. “Valores materialistas são a crença de que a felicidade está na próxima compra, de que comprando as pessoas serão mais felizes. Estes consumidores tendem a julgar o sucesso na vida em termos de quantidade de posses que as pessoas acumulam. Indivíduos mais materialistas são favoráveis ao endividamento”, aponta Ponchio (foto), da ESPM SP, que também é autor do livro "The Influence of Materialism on Consumption Indebtedness: A study of low income consumers from the city of Sao Paulo, Brazil", ainda não publicado no país.
Mas engana-se quem acredita que os consumidores da base da pirâmide priorizam as marcas conhecidas e o status que elas oferecem. Segundo o estudo da ACSP, apenas 21% dos entrevistados das classes de baixa renda se dizem preocupados em obter produtos de marcas consagradas.
“Eles esperam um bom custo-benefício, preocupam-se bastante com a qualidade. Estas pessoas querem consumir coisas boas e o crédito foi o que ajudou a democratizar o acesso a esses produtos”, comenta Sandra Turchi, superintendente de Marketing da Associação Comercial de São Paulo e articulista do Mundo do Marketing, em entrevista ao site.

Fidelidade a marcas de qualidadeA importância dos produtos de qualidade é explicada pela impossibilidade que estes consumidores têm de arriscar o orçamento apertado que não permite que as famílias de baixa renda errem na hora de consumir. “Marcas novas demoram a se consolidar com este público porque ele arrisca menos. Se na cabeça do consumidor, a marca ainda não está vinculada à qualidade, levará mais um tempo para que se popularize entre este grupo”, acredita Sandra Turchi.
Por isso, mesmo tendo dinheiro para comprar um determinado produto à vista, estes consumidores optam pelo financiamento para adquirirem um item mais caro, porém, de melhor qualidade. “Eles não podem correr o risco de comprar um produto que possivelmente dará algum defeito três meses depois”, complementa a superintendente de Marketing da ACSP.
A confiança nos produtos que já foram testados acaba gerando uma relação de fidelidade. Uma fidelidade que não se refere ao status da marca, mas sim a sua qualidade. Como o consumo de bens mais caros depende do financiamento, estes consumidores normalmente não conhecem as taxas de juros aplicadas pelas empresas.

Eles prefeririam pagar à vista
Apesar do grau de endividamento aumentar, estes consumidores também apresentam uma preocupação em não se comprometerem com mais dívidas. “A expansão do crédito vem acontecendo nos últimos dois anos e muita gente já se endividou e teve problemas com isso”, conta ao site a superintendente de Marketing da ACSP (foto).
Em todas as classes, 53% dos entrevistados pela ACSP relataram que ainda compram por impulso. Se pudessem, 71% dos consumidores de baixa renda comprariam à vista. A compra a prazo acontece por uma necessidade. “Eles dão preferência ao menor número de parcelas possível, mas uma coisa é a preferência e outra é a possibilidade real. Na prática, depende do orçamento”, pondera Sandra.
Para este ano, a expectativa é de que o consumo continue aquecido. “O consumidor de baixa renda ainda procurará modalidades que adiantem o consumo, como crediário, cartões de lojas, débito ou crédito, tanto no varejo, quanto nas instituições financeiras”, acredita o especialista da ESPM SP, Mateus Ponchio.

Endividamento não significa inadimplência
Contudo, o crescente número de famílias endividadas não é um indicativo de que haja um aumento na inadimplência. “De maneira geral, ao longo do ano passado, muitas vezes se especulou que a inadimplência iria explodir pela expansão do crédito e das taxas de juros menores. No entanto, isso não aconteceu”, constata a economista da Fecomercio.
Adelaide faz referência ao aumento de apenas 0,4% no nível de inadimplência em 2009, comparado com o ano anterior. No último ano, o grau de consumidores sem condições de quitar suas dívidas foi de 6,5%. No entanto, de outubro a dezembro de 2009 observou-se uma redução na inadimplência em relação ao mesmo período de 2008. Em dezembro passado, o volume de cancelamento de registros no SCPC foi maior que o de inclusões, gerando uma taxa de inadimplência de 0,4%, contra 3,6% no mesmo mês de 2008, como indica a Associação Comercial de São Paulo.
Para este ano, as perspectivas continuam otimistas. O levantamento da ACSP indica que 57% dos consumidores de baixa renda alegam que a situação econômica está melhor hoje do que há um ano. Além disso, 64% acreditam que estarão melhores financeiramente nos próximos meses.

Otimismo em 2010 abre oportunidades
Com consumidores de baixa renda mais propensos a consumir, cabe ao profissional de Marketing e às empresas formatarem marcas e produtos com foco neste grupo. “As lojas precisam proporcionar ambientes acolhedores e que transmitam segurança para que este consumidor não se sinta intimidado”, garante Ponchio, que acredita também que as empresas devem “Ser flexíveis e tentar negociar alternativas de pagamento, além de descontos”.
A boa expectativa em relação a 2010 também abre oportunidades para outros canais pouco explorados entre os consumidores das classes da base da pirâmide. É o caso do e-commerce. Apenas 24,5% destes consumidores da cidade de São Paulo possuem computador ligado à internet em casa. No entanto, eles cultivam cada vez mais o hábito de acessar a rede, seja em lan houses, no trabalho ou na casa de parentes e amigos.
O baixo grau de consumidores da base da pirâmide que já efetuaram compras na web (7,1%) demonstra que o canal ainda tem muito espaço para crescer entre este público. Prática muito recente ainda no cotidiano destas famílias que acabaram de entrar no mercado de consumo, o e-commerce tem três principais desafios.
O primeiro é a desconfiança que estes consumidores têm de comprar pela internet. Dos pesquisados pela ACSP, 51% acham que consumir virtualmente não é seguro. Isso impede que eles informem seus dados na rede, além da preocupação de que o produto não chegue de acordo com o esperado. Outra limitação refere-se à vontade que este público tem de ver o produto e manuseá-lo. Os consumidores de baixa renda entendem a saída para as compras como um lazer. O terceiro é a falta de meios para pagamento parcelado na internet, já que muitos não têm cartão de crédito.

Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing.
 http://www.mundodomarketing.com.br/10,12739,consumidor-de-baixa-renda-esta-endividado-mas-ainda-quer-comprar.htm

O que motiva o consumidor a comprar?

A motivação do consumidor para entrar em uma loja é uma informação preciosa para o departamento de Marketing de qualquer empresa. Para conhecer um pouco mais sobre este mistério que permeia a mente de muitos profissionais de Marketing, o Mundo do Marketing foi para o shopping Riosul, no Rio de Janeiro, para saber: o que motiva os consumidores a entrarem em determinada loja?
As respostas, como se esperava, são diversas. Mas a vitrine é a principal arma das lojas de shopping para tentar atrair o consumidor, assim como um bom atendimento, que fez com que Jonas Filho fosse buscar a loja Opção para a compra de um produto. Vitrine e atendimento são apenas algumas destas ferramentas que os pontos-de-venda precisam ter.
Qualidade, variedade de produtos e preço também estão na lista dos diferenciais mais citados. Porém, existem outras motivações que estão fora do alcance das empresas de varejo. A segurança de estar dentro de um shopping, a proximidade ou facilidade de acesso ao ponto-de-venda e até uma promessa feita para a filha, fazem os consumidores decidirem em questão de milésimos de segundo em que loja entrar.
Promessa é dívida...e também motiva
Saindo de uma loja de brinquedos com a filha, Elisa Borges Pereira mostrou que o que a fez entrar no ponto-de-venda não se encaixa em nenhuma estratégia de Marketing. “Minha filha ficou nervosa quando estávamos em uma enchente e prometi que se ficasse calma eu daria um presente a ela. Quando fazemos uma promessa para alguém, ainda mais para uma criança, temos que cumprir”, explica.
Além de buscar lojas de artigos infantis para presentear sua filha, Elisa ainda apontou para outro dado intrigante para os departamentos de Marketing que estudam o comportamento do consumidor. “As lojas de rua não tem segurança e por isso resolvi que a compra deste presente deveria ser feita num shopping, que é mais seguro”, aponta.
A compra por impulso também se vê com facilidade no varejo. No caso da aposentada Zélia Miranda e de outra compradora que prefere não se identificar, a vitrine atraiu a primeira, mas dentro da Casa & Vídeo, sua acompanhante encontrou um produto que estava procurando há dias. “Estava procurando um telefone e quando vi na loja, comprei. Foi por acaso”, diz.
Localização X variedade
Até o Dia das Crianças – que foi comemorado no dia 12 deste mês – ainda faz a alegria dos vendedores do Riosul. De acordo com a empresária Beatriz Lopes, o cartão da Lojas Americanas e a consequente facilidade no pagamento das compras foi o que a motivou a dar o presente de Dia das Crianças para sua sobrinha. “A facilidade de pagamento é o que me faz vir à loja com frequência”, acredita.
A localização do ponto-de-venda também é um diferencial motivacional para os consumidores. Lení Maria, funcionária do shopping Riosul, decidiu comprar produtos para o lar na Lojas Americanas por conta da praticidade. “É o lugar mais perto para eu comprar estes produtos. Além disso, a variedade facilita a compra. Só o preço é que eu diria que é razoável”, avalia Lení.
A variedade de produtos da loja Mercatto também chamou a atenção da vendedora Cristiana Mattos. “A loja também oferece um preço bom, mas a variedade é mais importante e é o que me motiva a comprar aqui”, diz. Saindo da mesma loja, Regina Sales, aposentada, foi atraída inicialmente pela vitrine, mas logo percebeu o principal diferencial da marca. “A vitrine chama a atenção, mas a variedade de produtos é o que me mais chamou a atenção”. Apesar do destaque dado às opções de peças de roupa oferecida pela Mercatto, a variedade pode acarretar em dúvidas. “Não comprei nada porque não achei algo que me interessou”, aponta.
Preço, atendimento...e concorrência
O fato de ter uma empresa concorrente atuando em um shopping center também é motivador de compra. Com a variedade de lojas do Riosul, a empresária do ramo de calçados, Ana Claudia, busca peças que possam servir de inspiração para suas futuras coleções. “Estou pesquisando lojas de calçados para lançar novos produtos”, conta.
O bom e velho atendimento continua sendo um diferencial para os pontos-de-venda. Levar o cliente até a porta e tratá-lo com cuidado e respeito ainda traz resultados. É o que diz Jonas Filho, profissional de TI, ao sair da loja Opção com uma compra. “Tenho afinidade e já conheço a marca. A qualidade dos produtos é o grande diferencial. O atendimento eu não preciso falar. É nota dez”, resume.
Na Lojas Americanas, o preço dos produtos foi o que motivou a compra da atendente Andrea Pereira. “Lá é mais barato”. Curiosamente foi a mesma opinião da publicitária Adriana Alves, ao sair da Zara. “Costumo comprar presentes lá por causa da qualidade e do design das roupas para crianças, mas o preço também me chama a atenção”, completa.
Por Thiago Terra, do Mundo do Marketing. http://www.mundodomarketing.com.br/10,11759,o-que-motiva-o-consumidor-a-comprar-.htm

Como pensam os jovens consumidores

Estudo traça o perfil de consumo de moradores do Rio e de São Paulo, entre 16 e 25 anos.

A maioria dos jovens brasileiros está satisfeita com a relação de consumo que tem com produtos e serviços. Segundo o estudo “O Jovem e o consumo político”, 77% nunca se sentiram desrespeitados enquanto consumidores. De acordo com o levantamento, 84% dos entrevistados jamais fizeram reclamações exigindo seus direitos e 97% nunca abriram uma ação de reivindicação contra alguma empresa. Dos 402 entrevistados, 52% se consideram informados sobre os direitos do consumidor. No entanto, 62% afirmaram não conhecer o Código de Defesa do Consumidor.
Foram entrevistados moradores do Rio de Janeiro e de São Paulo, com idades de 16 a 25 anos, sendo a maioria de 20 anos, e com renda média de R$ 998,00. O material ressaltou a importância dos clientes se informarem sobre as empresas dos produtos consumidos. Sessenta por cento disseram que o cidadão tem a responsabilidade pessoal sobre as escolhas de produtos e serviços, contra 12% que discordam da afirmação.
Sessenta por cento dos jovens também acreditam que o consumidor pode influenciar a sociedade mudando produtos e empresas que não estão preocupados com questões ambientais, éticas e sociais. Entretanto, 38% dos pesquisados afirmaram não ler os rótulos dos produtos.

Jovens se consideram bem informados
Dos 62% que disseram observar as embalagens, a principal informação, considerada por 92,8% dos jovens, é a validade. A marca vem apenas em segundo lugar, com 51,8%, seguida pela composição (47,4%). “É importante lembrar que quando falamos sobre alimentação alguns elementos sobressaem mais do que quando estamos abordando roupas, por exemplo”, aponta Lívia Barbosa (foto), Diretora do Centro de Altos Estudos da ESPM, durante o 5º Encontro Nacional de Estudos do Consumo, no Rio de Janeiro.
Os jovens também se consideram bem informados. Quando questionados sobre áreas que conhecem acima da média, o primeiro assunto é o esporte (42%), seguido por música (31%), moda (18%) e cinema (12%). Política e meio ambiente são temas que despertam pouco interesse nesses consumidores, com 6% e 5%, respectivamente.
A TV aberta continua sendo a principal fonte de informação desses jovens. Depois aparecem a internet e os colegas e amigos, citados espontaneamente pelos entrevistados. “A percepção desse jovem de que está bem informado está relacionada especificamente às áreas de lazer e entretenimento”, explica Lívia.

Brasileiros não se interessam por política
O baixo nível de interesse desses consumidores pela política também se manifesta no consumo, mostrando-se pouco engajados quando o assunto é aprofundar-se em relação aos produtos. A maioria deles (76%) interage frequentemente com o que a internet oferece e 60% têm algum tipo de perfil nas redes sociais. A web, no entanto, ainda é usada para pesquisa de preço por grande parte dos internautas. “A maioria não utiliza a ferramenta para avaliar a qualidade dos produtos a serem adquiridos”, explica a especialista.
Esses jovens também não demonstram iniciativa – contra ou a favor – em relação às marcas. A maioria esmagadora (96%) nunca participou de um boicote a um produto ou uma empresa. O mesmo acontece quando indagados sobre um “buycott”. Oitenta e um por cento disseram nunca ter comprado um produto com a intenção de premiar uma empresa que julga virtuosa do ponto de vista ambiental ou em relação à qualidade, por exemplo.
Grande parte dos pesquisados (86%) desconhece o significado do termo comércio justo, um dos pilares da sustentabilidade, que busca a formação de preços justos e padrões sócio-ambientais equilibrados nas cadeias produtivas. Daqueles que disseram não conhecer o conceito, 44% optaram pela alternativa errada (“comércio regulado pela organização mundial do comércio”).
Quase a metade (51%), no entanto, afirmou ter comprado algum produto do comércio justo, enquanto, no geral, 34% disseram comprar produtos verdes. “São Paulo tem um comportamento expressivamente diferente, 45% dizem ter consumido produtos orgânicos”, diz Lívia.

Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing.
 http://www.mundodomarketing.com.br/16,15922,como-pensam-os-jovens-consumidores.htm

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Especialista em Shopper Marketing mostra como influenciar na decisão de compra de consumidores

São Paulo - A indústria de bens de consumo de massa e o varejo travam uma guerra diária. Num negócio cuja margem de lucro é pequena, ficar à mercê do consumidor mutante de hoje não é um bom negócio. "Você tem que provocar a mudança", aponta Craig Elston, Vice-Presidente de Insight & Estratégia do The Integer Group, uma das maiores agências de Shopper Marketing do mundo, em evento realizado pela agência Ponto de Criação na última semana.

Nos Estados Unidos, 73% dos consumidores compram em mais de um formato de loja diferente. São pelo menos cinco. Apenas 26% são fiéis ao ponto-de-venda. Quando estão na hora da verdade, no entanto, 70% das decisões de compra são feitas diante da gôndola. É neste momento também que 59% desses consumidores escolhem a marca. Os números já foram mais favoráveis e mostram a importância de fortalecer as marcas da indústria e do varejo. Encorajar o consumidor a entrar na loja e comprar é um dos grandes desafios do executivo de marketing nos dias de hoje. Craig Elston tem uma fórmula que passa por quatro pontos centrais.
 
O primeiro é entender o comportamento das pessoas como compradoras, shoppers. Diferente de quem está consumindo ou usando um produto, quem está comprando sofre influências de marketing. Saber como se dá o processo de desejo, o que determina a escolha, o que a pessoa fez antes e depois da compra dão pistas para que a marca disponibilize uma oferta certeira. "Tem que entender o modelo mental das pessoas", aponta Elston em palestra realizada no Insper, em São Paulo. Observar o target é cada vez mais importante.

Dilemas

As pessoas vão às compras por diversos motivos. Entender cada motivação é essencial. Por isso, é preciso caminhar para o segundo estágio: criar um diálogo constante com elas de forma diferente. Customizar a comunicação e manter um relacionamento antes e pós-venda ganha contornos de engajamento. Num mundo digital e com tecnologia a alcance de todos, entregar uma experiência inovadora no ponto-de-venda é o caminho para envolver o shopper. Este é o terceiro mantra de Craig Elston.
O quarto fator dentro da proposta do especialista busca manter a saúde da marca em longo prazo. É o velho dilema das promoções e metas de curto prazo versus a construção de uma marca forte, consistente e coerente. "Não podemos ter esta visão míope. O processo precisa ser feito em conjunto". O segredo aqui é desenhar o tipo de comportamento que a marca pode ter. Indústria e varejo devem caminhar juntos.

Tirado do site:
http://portalexame.abril.com.br/marketing/noticias/como-promover-mudanca-consumo-596639.html

Web 2.0 é nova fonte para pesquisa de mercado

O Brasil apresenta uma das maiores taxas de uso de blogs, sites de comunidades (Orkut, MySpace, Facebook) e de criação de conteúdo coletivo na internet mundial. Diante desse cenário, as empresas de pesquisa devem se preparar para coletar e analisar as opiniões geradas pelos consumidores nesse ambiente, caso contrário, podem perder espaço para oriundas do segmento de tecnologia. A conclusão é do estudo "Paper Blogs e Comunidades Online: pesquisa 2.0", apresentado pelo Ibope Inteligência.
"Uma parcela crescente do uso da internet foge da lógica do modelo de transmissão, constituindo-se em um rico espaço de informações sobre o comportamento dos consumidores e a atitude dos mesmos em relação às marcas", afirma Marcelo Coutinho, autor do estudo e diretor de análise de mercado e de novos negócios do instituto.
Segundo o executivo, diversas empresas nos EUA e na Europa já utilizam blogs e comunidades para afinar sua linha de comunicação ou desenvolver novos produtos. O Ibope entrevistou 14 gestores das áreas de marketing e comunicação brasileiros e verificou que a prática já começa a aparecer nas empresas nacionais, embora não tão consolidada quanto nos países onde a penetração da internet é mais elevada.
São cerca de 40 milhões de brasileiros que utilizam a rede regularmente. Do total, 64% participam de sites de comunidades e 13% criam ou atualizam blogs. "Existe muita resistência por parte das empresas em experimentar novas metodologias e buscar novas práticas que não sejam necessariamente qualitativas ou quantitativas, mas uma mistura de ambas", aponta o diretor.
Na opinião de Coutinho, essas companhias demoraram para compreender que o mundo digital exige mais que um replicar de modelos de negócios tradicionais e, com isso, perdem sua posição privilegiada para empresas como Google, Microsoft, Facebook e outras.

FONTE: http://www.oficinadanet.com.br/noticias_web/1533/web_2.0_e_nova_fonte_para_pesquisa_de_mercado

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Filme ” Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”

O FilmeOs Delírios de Consumo de Becky Bloom“é uma boa sugestão relacionada ao nosso tema.
A jornalista Rebecca Bloomwood tem um sonho de trabalhar em uma revista de moda e acaba sendo cantratada para outra publicação da mesma editora e se tornando uma respeitada colunista de economia.
Aí, que está o “X” da questão, enquanto ela dá dicas e conselhos para suas leitoras não se descontrolarem nos gastos, Bloom faz exatamente o contrário, já que tem compulsão por compras e não consegue resistir aos seus impulsos de consumo.
“Os Delírios de Consumo de Becky Bloom” é um filme sobre uma mulher que começa a se entender melhor apenas quando decide que é hora de lidar com seu maior problema, seu consumismo desenfreado. Para controlar a situação, Becky procura um grupo de ajuda de Consumistas Anônimos, no qual pessoas se reúnem para ajudarem umas às outras a livrar-se da tentação que a chama para cada vitrine.
Baseado na popular série britânica de livros de Sophie Kinsella.
Uma ótima sugestão para assitsir em época de crise, apesar de ser comédia é bom  para analisarmos nós mesmo..

Tipos de Consumidores

Consumidor individualista
O consumidor individualista é aquele que está preocupado com seu estilo de vida pessoal. Nesse caso compra pelo desejo e prazer de ter o que quer.

Consumidor eficiente
O consumidor consome de modo eficiente, cuidando seu bolso e seu gosto. Costuma pesquisar preços antes da compra e zela pela qualidade dos serviços e produtos que consome.

Consumidor consciente
O consumidor acredita na possibilidade de contribuir para mudanças locais e planetárias por meio de seu ato de consumo.

Consumidor responsável
O consumidor leva em consideração as informações recebidas sobre produtos e empresas. Sendo assim, não compra um produto se receba a informação dizendo, por exemplo, que ele ou empresa que o produz prejudicam o meio ambiente.

Comportamentos de Compra

Segundo psicossociólogos, os consumidores tem o seguinte comportamento na hora de comprar um produto:
  • Racional: O consumidor sabe o que quer comprar e compara preços. As vezes influencia-se pela promoção e pela publicidade, mas o resultado pode ser o oposto caso se sentir enganado.
  • Impulsivo: O ato de comprar serve para canalizar o estresse, reforçado pelo próprio shopping-center ou supermercado, produzindo uma sensação de prazer imediato.
  • Compulsivo: Para esse tipo de comprador, a necessidade de comprar é comparável à de um viciado em drogas. Para os psiquiatras, trata-se de um sintoma de uma desordem emocional. O consumo se dá como uma forma de compensar um vazio, de sentir-se acompanhado, ainda que seja por um objeto. =)
Há também todo um processo de estimulo dos sentidos das pessoas que se dá no processo de compra. Para algumas pessoas o estímulo é visual, quando estas vêem algo e querem possuí-lo, já outras têm o estimulo olfativo, e por fim o auditivo.

Consumo X Consumismo

A diferença entre o consumo e o consumismo é que no consumo as pessoas adquirem somente aquilo que lhes é necessário para sobrevivência. Já no consumismo a pessoa gasta tudo aquilo que tem em produtos supérfluos, que muitas vezes não é o melhor para ela, porém é o que ela tem curiosidade de experimentar devido às propagandas na TV e ao apelo dos produtos de marca. No entanto, a definição de necessidade supérfluas é algo relativo, já que um produto considerado supérfluo para alguém pode ser essencial para outra, de acordo com as camadas sociais a que a população pertence. Isso pode gerar violência, pois as pessoas que cometem crimes na maioria das vezes não roubam ou furtam nada por necessidade, e sim por vontade de ter aquele produto, e de não ter condições de adquirí-lo. Nesses casos, a necessidade de consumo se torna uma doença, uma compulsão, que deve ser tratada para evitar maiores danos à pessoa. Muitas vezes o consumismo chega a ser uma patologia comportamental. Pessoas compram compulsivamente coisas que elas não irão usar ou que não têm utilidade para elas apenas para atender à vontade de comprar.
A explicação da compulsão pelo consumo talvez possa se amparar em bases históricas. O mundo nunca mais foi o mesmo após a Revolução Industrial. A industrialização agilizou o processo de fabricação, o que não era possível durante o período artesanal. A indústria trouxe o desenvolvimento, num modelo de economia liberal, que hoje leva ao consumismo alienado de produtos industrializados. Além disso, trouxe também várias conseqüências negativas por não se ter preocupado com o meio ambiente. A Revolução Industrial do século XVIII transformou de forma sistemática a capacidade humana de modificar a natureza, o aumento vertiginoso da produção e por consequência da produtividade barateou os produtos e os processos de produção, com isso milhares de pessoas puderam comprar produtos antes restritos às classes mais ricas.
A sociedade capitalista da atualidade é marcada por uma necessidade intensa de consumo, seja por meio dos mercados internos, seja por meio dos mercados externos, já que um aumento do consumo, registra-se uma maior necessidade de produção, que para atender a esta demanda gera cada vez mais empregos, que aumentam a renda disponível na economia e que acaba sendo revertida para o próprio consumo. O excesso de todo este processo leva a uma intensificação da produção e consequente aumento da extração de matérias-primas e do consumo de energia, muitas vezes, de fontes não-renováveis.
Às vezes, uma pessoa compra pela influência de outras,que na verdade, também são influenciadas pelas propagandas, filmes, revistas e etc. Ou seja, a sociedade cria um padrão, que tende a ser seguido pelas pessoas. Algumas mulheres, por exemplo, geralmente escolhem um corte de cabelo, roupas, sapatos e acessórios da moda com base em alguma atriz famosa.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Consumir é 100% Legal?! Tirem suas próprias conclusões...

Consumo Infantil

Em época de Natal os pais enchem as lojas para atender os desejos dos filhos, esses conseguem levar os pais até mesmo aos shoppings. Esta cena não é comum somente no mês de Dezembro, os excessos quanto aos pedidos das crianças acontecem freqüentemente, isto se deve a forte influência que o consumo exerce sobre as crianças. Uma forma de lidar com esse aspecto é a orientação que os pais podem oferecer o quanto antes, esclarecendo que o importante é a personalidade do indivíduo, e não aquilo que ele consome.
Na verdade, os pais são desafiados quando ensinam os filhos que o essencial é ser o que é, já que estão sendo bombardeados pelo consumismo de todos os lados.
Os shoppings possuem uma estrutura que fascinam as crianças. Tudo, as lojas de brinquedos, o parque, as cores e as luzes as atraem.
O ser humano tem uma grande necessidade de aceitação, de pertencer a um grupo, e o ato de consumir seria uma forma de inserção social, ou seja, para vivenciar este sentimento de pertença, a criança “necessita” adquirir determinado brinquedo, certas marcas de tênis e roupas e até fazer alguns passeios que são interessantes para o seu grupo.
Os pais e a escola podem ensinar a criança a consumir com consciência e responsabilidade. Considerando a qualidade do produto e as necessidades a fim de não desperdiçar e sim de economizar.
Quando o pai é consumista, tem grande possibilidade de ter um filho também consumista. Se o pai é econômico, planeja e investe naquilo que é fundamental, consegue passar esses valores para o filho.
Vale ressaltar algumas estratégias para os pais, quando o assunto é consumir:
• Diante da insistência da criança seja firme, pois essa não sabe o que é melhor para ela.
• Oriente a criança que antes de gastar o dinheiro é necessário ganhar.
• Deixe-a participar do dia-a-dia da família, indo as compras de supermercado. Negociando com ela, antes de sair, quais os produtos que serão adquiridos.

Consumo Compulsivo

O ato de comprar muitas vezes não está relacionado simplesmente com a aquisição de bens para o consumo. As compras podem assumir uma ligação com a frustração ou a solidão.

Segundo Giovanni Siri, professor de psicologia do consumo da Universidade Vita-Salute San Rafaelle, em Milão, o ato de comprar prevalece nas mulheres por esta função ser tradicionalmente concedida a ela.

Cresce cada vez mais o número de pessoas que procuram ajuda psicológica ou psiquiátrica para controlar o consumo compulsivo.

O costume de comprar aparece por volta dos 18 anos, quando apesar de não comprarem, os jovens gastam horas experimentando roupas.

O consumo compulsivo pode comprometer desde o equilíbrio emocional até o orçamento familiar. Diante da impossibilidade financeira de adquirir um produto, a ansiedade da pessoa pode ser aumentada.

O professor Roberto Pani aponta que o consumo pode funcionar para remediar carências.
Dificuldades de relacionamento podem ser sinalizadas pela compulsão. Giovanni Siri salienta que a identidade é fundamentada através das relações com o próximo. Sendo assim, diante de situações nas quais as pessoas se sentem ansiosas e frágeis, essas podem tentar preencher a falta de relações mais complexas, adquirindo objetos, já que esses não as rejeitam nem decepcionam.

O consumidor só se satisfaz ao adquirir o produto cobiçado, porém este tem um valor simbólico, ou seja, quando é adquirido perde seu valor, uma vez que o que está por trás da compra pode ser a tentativa de suprir carências afetivas.

Consumismo

Consumismo é o ato de comprar produtos e/ou serviços sem necessidade e consciência. É compulsivo, descontrolado e que se deixa influenciar pelo marketing das empresas que comercializam tais produtos e serviços. É também uma característica do capitalismo e da sociedade moderna rotulada como “a sociedade de consumo”.

Diferencia-se em grande escala do consumidor, pois este compra produtos e serviços necessários para sua vida enquanto o consumista compra muito além daquilo de que precisa.

O consumismo tem origens emocionais, sociais, financeiras e psicológicas onde juntas levam as pessoas a gastarem o que podem e o que não podem com a necessidade de suprir à indiferença social, a falta de recursos financeiros, a baixa auto-estima, a perturbação emocional e outros.

Além de conseqüências ruins ao consumista que são processos de alienação, exploração no trabalho, a multiplicação de supérfluos (que contribuem para o processo de degradação das relações sociais e entre sociedades) e a oneomania (que é um distúrbio caracterizado pela compulsão de gastar dinheiro que é mais comum nas mulheres tomando uma proporção de quatro por um), o meio ambiente também sofre com este “mal do século”, pois o aumento desenfreado do consumo incentiva o desperdício e a grande quantidade de lixo.
Por Gabriela Cabral
Equipe Brasil Escola.com